Como pais e professores podem prevenir as dificuldades de aprendizagem?

 


Nestes mais de 10 dez anos como psicopedagoga atendendo na área clínica, venho orientando pais e professores das crianças para que o trabalho possa mais rapidamente apresentar os resultados tão esperados por ambos. Faço isso, pois o trabalho psicopedagógico envolve os contextos que a criança ocupa e os adultos responsáveis em cada um deles, estando intimamente ligados ao sucesso dela.

Entendo que é fácil colocar toda a responsabilidade das dificuldades na criança, mas nem sempre ela é o foco principal dos atendimentos, sendo necessários pequenos ajustes nos contextos também.

Há várias formas de atuação e mesmo alguns casos sendo fundamentais os ajustes, eu prefiro sempre orientar, esclarecer e sugerir, não impondo, as mudanças necessárias onde a família e a escola irão pensar de que forma poderão realiza-las e estou sempre a disposição se precisarem de mais ajuda com isto.

Focarei o relato nos dois ajustes mais importantes, que se repetiram ao longo da minha carreira, conduzindo a explicação para a escola, mas os dois também são fundamentais para os pais.

 Estes fatores são os principais que considero para que a aprendizagem aconteça, por isso procuro utilizá-los como plano de fundo em todos os meus atendimentos. O primeiro deles é o vínculo.

Não pretendo entrar no complexo campo do vínculo, abordado por Pichon Rivière e Carl Rogers, então sugiro que se quiserem se aprofundar, estudem eles.

Superficialmente então, o vínculo seria a relação do sujeito com o objeto. Este objeto sendo os pais ou o professor num primeiro momento. Este processo afetivo de socialização, caso ocorra um vínculo normal entre eles, permeará o vínculo com o objeto do conhecimento.

Ou seja, o vínculo normal entre pais-filhos professores-alunos, onde haja o respeito entre as diferentes opiniões, em que o adulto resgata o conhecimento prévio da criança e a ajuda a reescrevê-lo, promovendo uma diferenciação entre eles, sem que a criança copie a ideia do livro ou do adulto, promovendo independência criativa e de pensamento, desencadeará a aprendizagem efetiva e duradoura, com base afetiva e social positiva.

Isto vale para os pais também, pois tudo o que fazemos na vida se dá pelo aprendizado, por exemplo, quando a criança observa os pais fazendo algo, reagindo a alguém, ou mesmo quando elas perguntam para eles alguma coisa, a melhor forma é perguntar primeiro o que elas pensam sobre o assunto e fazendo perguntas que guiem o pensamento dela para encontrar novas possibilidades que se conectem ao saber anterior.



Então, a afetividade na aprendizagem acontece na relação com os pais que mediarão o conhecimento, depois os professores, ambos promovendo na criança representações simbólicas positivas por meio da interação com eles, abrindo portas para a busca saudável por novos conhecimentos.

 


Junto ao vínculo temos a autonomia, que o vínculo normal, não patológico, visa alcançar, viabilizando a independência da criança para se apropriar dos conhecimentos personalizando-os do seu jeito.

No começo da infância, a criança imita, repete o modelo do adulto e o grande desafio é despertar o seu potencial criativo para que ela busque sua identidade, suas preferências e modos de fazer, aprender, conhecer e ser.

Os pais e professores tornam-se, então, os facilitadores deste processo criativo de aprendizagem, sendo assim possível pelo vínculo criado com a criança, ao se relacionar com ela respeitando, ouvindo, perguntando e se interessando pelo mundo dela, trazendo a realidade infantil para a realidade adulta suavizando a transição do seu crescimento interior ao permitir que a criança se expresse e construa seus próprios saberes. 

 Tendo o vínculo e a autonomia da criança como objetivo básico dos processos de aprendizagem, podemos prevenir mais da metade dos problemas de aprendizagem que surgem nos consultórios evitando que crianças saudáveis, entusiasmadas, motivadas e criativas sejam castradas em seu dom natural de ser CRIANÇA.

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