Psicopedagogia Institucional



Parte-se do princípio que o psicopedagogo seria contratado antes do problema se instalar, mas apesar de seu caráter preventivo, a instituição tanto hospitalar, empresarial ou escolar irá precisar de seus serviços quando houver um problema para resolver.

A ideia do psicopedagogo na escola, por exemplo, é avaliar e sugerir melhorias na dinâmica escolar, observando as relações e comportamentos da comunidade escolar, que possam estar contribuindo para a instalação de algum problema ou para o aumento das dificuldades de aprendizagem nos alunos.

Como Alicia Fernández nos fala, temos o problema de aprendizagem do tipo reativo, que pode ser desencadeado por pedagogia ineficiente ou autoritarismo. Além de vários outros transtornos como de atenção e do comportamento, que são mal diagnosticados pois parecem transtornos, mas a própria escola está causando estas reações nas crianças.

Contudo, se precisamos partir do problema já instalado, iremos escutar os envolvidos no sistema educacional ou na empresa, e vamos delinear o que cada um pensa e como se sente frente ao problema. O psicopedagogo analisará documentos, no caso da escola, o Projeto Político Pedagógico, Diretrizes, Grade Curricular, Planejamento de aula, Caderno dos alunos, avaliações e notas dos alunos, observação da dinâmica escolar e das aulas.

O foco na escola é o processo de ensino-aprendizagem, relacionamento entre os alunos, entre a equipe e entre professores e alunos. Quando a dinâmica escolar funciona, as aulas são diversificadas e motivadoras, as relações vinculares entre professores e alunos são positivas e os alunos se respeitam entre si, família e escola estão unidas em prol do desenvolvimento efetivo das crianças, então a avaliação institucional está terminada, e deve-se orientar o encaminhamento dos alunos que estão com dificuldades, pois provavelmente o problema é com o aluno ou com os outros contextos que ele tem acesso, como família, cidade, amigos, etc.

Muito pensam que o profissional que vai prestar serviço como psicopedagogo institucional avaliará o aluno individualmente fazendo “clínica” dentro da escola. No máximo, caso seja contratado para tal, pode ser realizada a avaliação para saber para qual profissional encaminhá-lo.

Se houver necessidade de atendimento psicopedagógico será encaminhado para profissional clínico fora da escola.

Por falta de profissionais de educação especial, podemos encontrar psicopedagogos atuando em salas de recurso, mas no caso, são contratados especificamente para tal atendimento, sem outras funções. Acredito que cada profissional deve ocupar o local o qual pertence, neste caso, profissionais com formação em áreas da educação e especialização em educação especial.

Para prevenir dificuldades de aprendizagem, o psicopedagogo pode participar das reuniões pedagógicas, observar as aulas, auxiliar na orientação das famílias e colaborar junto ao professor titular e professor da sala de recurso na inclusão, adaptação curricular e a pensar em como ajudar os alunos que não estejam acompanhando a turma.

E com certeza vai pousar um olhar especial ao comportamento das crianças na escola para detectar qualquer tipo de violência que possa estar acontecendo dentro dos portões da escola, orientando a equipe em como proceder e observar para intervir antes que a violência se torne agressões mais sérias.

Todas as escolas deveriam ter um psicopedagogo e um psicólogo, pois onde há pessoas há situações que precisam ser mediadas para que todos possam ser olhados, cuidados, seus direitos respeitados e seu futuro preservado. Tantos suicídios ocorrem no mundo por dia, que não podemos descuidar nem dos alunos, nem da equipe que pode estar sobrecarregada de alguma forma.

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