Como os pais podem estimular seus bebês?

 


Quando uma criança chega ao consultório, por apresentar alguns desencontros em sua aprendizagem na escola, os pais perguntam:

- Onde foi que eu errei?

Sempre digo que cada criança é diferente, um sistema complexo, uma rede de informações interligadas de maneira única, impossível de dizer quando algo que foi feito fez alguma diferença ou não.

Então, por que me preocupar e me esforçar fazendo e estimulando meu filho se não fará diferença?

A grande questão é: não sabemos se fará ou não diferença para aquela criança específica, então é melhor prevenir por ter feito o SEU PAPEL de pai e mãe oferecendo o seu melhor, do que prejudicar seu filho por tê-lo IGNORADO atrasando seu desenvolvimento holístico.

Assim, não foque no que passou, mas no que você pode fazer AGORA.

Em cada fase da vida, a criança está adquirindo certos aprendizados, que concordo com Piaget, vão seguindo um determinado caminho conforme ela vai evoluindo. Sendo que aprendizagens mais elaboradas dependem de conhecimentos prévios, que servirão de base para o entendimento dos novos.

Pensando nas crianças recém-nascidas, o foco dos pais qual é?

Estimular a fala e a motricidade e principalmente tentar descobrir o que elas precisam, pois ainda não sabem dizer o que querem.

Como estimular a fala e a motricidade para ajudar a ter uma aprendizagem mais sólida?

Durante a troca de frauda e em outros momentos de interação também:

- Vai conversando com a criança, isso também estimulará no ganho de vocabulário, ou seja, nas palavrinhas que ela vai aprender e sair falando mais pra frente, porque vai conhecer mais coisas e conceitos pela sua fala;

- Mexe as perninhas, uma e outra, como se fizesse ginástica e já aproveita e conta: - e um e dois, mexendo as perninhaaaaasssss eeeeeee;

- Sorria bastante, para mostrar sua felicidade no seu rosto;

- Vai mostrando as partes do corpo dela, diz: - olha a mão, e os dedinhos. Cadê o pé? – E faz cara de dúvida quando fizer perguntas;

- Mostra sua mão e vai conversando, coloca a mão dela na sua. Fala do tamanho e mostra a diferença exagerando na fala e nos movimentos;

- Quando falar que está ouvindo, está vendo, aponta para o olho e ouvido, sinalizando por onde está fazendo estas coisas;

- Quando tiver algo na mão, diga o nome e converse, não precisa ir só nomeando que nem robô, mas fala o nome mostrando e conversando;

- Distancia os objetos para que ele engatinhe para pegá-los;

- Faça barulhos para que ele olhe e procure pelo barulho, para ver se está ouvindo bem também;

- Disponibilize diversos materiais com texturas diferentes, cuidado com coisas muito pequenas, pois costumam por na boca e podem engolir;

- Potes para abrir e fechar, peças para colocar dentro e tirar;

- Pode brincar de esconder bem na vista da criança para ela ir procurando e atinar que ainda existe o objeto mesmo que não o veja;

- Passar materiais de textura diferente pela palma da mão, pela sola do pé para ela sentir, perceba as expressões dela, crianças maiorzinhas já fazem careta quando não gostam de alguma coisa;

- Quando der alimentos sólidos não misture texturas e sabores, dê uma coisa de cada vez, um grãozinho de feijão para ela sentir o sabor, uma rodela de cenoura quando puder mastigar, se misturar tudo vai ser muito estimulo e será uma explosão de sabores que ela não conseguirá distinguir bem, assim já poderá ir descobrindo daquilo que ela gosta ou não;

- Livros de plástico, para elas se familiarizarem, no começo com o sabor, porque vão morder bastante;

- Leia para ela, mostrando as figuras, apontando: - olha o sapo, olha a árvore, a nuvem. – Lembre-se que a criança não conhece nada quando nasce.

São ideias simples que ajudarão, principalmente, no caso de a criança ter algum problema de desenvolvimento, que ainda não foi possível ser detectado, e já vai estimulando para ajudar na aprendizagem, que será muito mais efetiva e sólida, pois ela estará vivenciando cada uma delas com os pais.

Além disso, esta interação e formação de vínculo com os pais enriquece sua base emocional que se tornará mais forte e concisa para lidar com as vivencias sociais depois. A criança só tem a ganhar.


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