Excesso de realidade
"Muitas
vezes se diz que, quando uma criança chora, a gente deve deixá-la chorar até
cansar, pois, caso contrário, nunca saberá esperar. Pois bem, este pode ser um
exemplo típico do excesso de realidade na vida de uma criança. É claro que ela
vai parar de chorar. Mas de exaustão. Se for só manha, passará logo, e ela
voltará a algum tipo de brincadeira. Mas se for necessidade da presença de um adulto
protetor, gerada por algum medo ou ansiedade, a exaustão tomará conta do seu
corpo. Vai dormir, pois a dor psíquica gerada pelo excesso lhe acarretará
cansaço. E nessas horas o bom senso ou uma interpretação clara são exigidos do
adulto, que deve estar atento para quando for convocado para proteger a criança
dos excessos. Aqui não podemos esquecer que a criança é um ser em
desenvolvimento, portanto, com a atividade mental também em desenvolvimento.
Por isso, bons pais são aqueles que detectam e protegem as crianças dos
excessos. Isto certamente ajudará para que o medo da e na vida não cresça
demais na criança. Amor não faz mal a ninguém. Ausência ou raiva sim."
Fonte: Aprendendo a lidar com os medos: A arte de cuidar de crianças. Do Julio Cesar Walz. 2010. p. 45.
Somos seres complexos e em
desenvolvimento, por isso não podemos nos culpar pelos erros que cometemos. Ao
cuidar de uma criança, ela se torna um mundo a parte que tentamos entender e
ajudar.
A criança precisa sentir-se
segura para se desenvolver tranquilamente. E esta segurança é alcançada pelos limites que o adulto dá ao negar certas
liberdades que a criança ainda não está pronta e pela proteção, quando o adulto se faz presente nos momentos em que a
criança não sabe lidar com a realidade, ficando ansiosa.
Às vezes, no supermercado, a
criança mal entrou na porta e começa a dar chilique, então ela sai correndo e
pega um brinquedo no corredor e o segura com toda a força do mundo.
Os
pais podem acalmar a criança, dizendo que não precisa se preocupar que a protegerão
de todo o mal.
Pergunta a ela se está se
sentindo melhor segurando o brinquedo. Tem crianças que levam um paninho com
elas, e isso já ajuda a manter a segurança e conter a ansiedade de estar num
lugar imenso e novo, com todas aquelas pessoas estranhas.
Tenta não perder seu filho de vista, e quando forem embora diz que vocês vão pra casa ou pra uma sorveteria ou algo que o motive a deixar o brinquedo na loja. E mesmo que seja só ir para casa, talvez já seja o suficiente, lembre seu filho dos brinquedos que deixou em casa, daquele jogo legal que você vai jogar com ele quando chegarem.
É importante os professores também protejam seus alunos, eles estão longe dos pais e terão momentos de fragilidade, e o professor será o adulto disponível para auxiliar as crianças em seus medos, frustrações e ansiedades frente a realidade, que muitas vezes, é ameaçadora, ainda mais na escola.

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