EMPATIA NO COMBATE A VIOLÊNCIA



Acredito que a empatia seja a solução imediata para diminuir a violência nas escolas. Por falta de psicólogos e psicopedagogos no ambiente escolar, ao diminuir o autoritarismo, e colocar o aluno com mais responsabilidades por seu aprendizado, aliado com a empatia do professor, onde ele se coloque mais no lugar dos alunos, poderiam ficar mais próximos e ajudar mais os que têm dificuldades.

Para quem não está familiarizado com o termo, empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e perceber as coisas pelo olhar do outro. Cada pessoa tem uma forma de ver a vida e as coisas pelas quais passa. E apesar de tentar se por no lugar do outro, mesmo achando que o outro possa estar dramatizando demais, é bom lembrar que o que é fácil para mim pode não ser para ti. Por isso, além da empatia é bom não julgarmos os sentimentos alheios.

Quando a gente pensa em formação de professores, lembramos em palestras e cursos, para reciclar e se atualizar. Porém, sem desmerecer tais métodos, podemos pensar que por mais que tenham tantas e tantas teorias e livros, seminários, artigos e pesquisas, o sistema escolar se mantém com diversos problemas que as teorias, por melhores que sejam, ainda não deram conta.

 

Precisamos pensar que quando a gente trabalha com pessoas, principalmente crianças, o resultado é totalmente inacessível, pois não há como saber se o resultado será positivo ou negativo pela gama de variáveis que interferem no resultado.

 

Por isso, a empatia vem auxiliar o professor no seu trabalho. Vamos primeiro lembrar um pouco de quando você estava na escola como aluno, como era? Tinha dificuldades? Em que matéria? Tinha amigos? O que mais gostava de fazer? O que mais detestava? Às vezes, nem lembramos como foi esse período pra gente, mas é importante, para que possamos nos colocar no lugar dos alunos.

 

Psiu, tente responder as perguntas acima, anote se achar melhor. Pensar em si e em como nos sentimos ajuda muito para entender o porquê que algumas das coisas que aconteceram durante o dia precisaram acontecer na nossa vida. Ops, deixar para falar disso em outro artigo.

 

Quando você entra na sua sala e se depara com 30 alunos, completamente diferentes entre si, um brigando com o colega, outro vem fazer reclamação que alguém está incomodando ele, outro quietinho sem se mexer, outras de conversa nos cantos, outro que não faz nada sem perguntar se está certo, outro que não quer fazer nada? Porque será que eles são assim?

As crianças que são indisciplinadas, desatentas, inseguras e que tem dificuldades não são assim porque querem, muitas tem problemas em casa, em sua comunidade ou mesmo na escola com os colegas, isso pode prejudicar emocionalmente os alunos e tirar sua atenção para os conteúdos e novas aprendizagens. Com empatia, o professor vai conhecendo seu aluno e buscando alternativas para ajuda-lo. Além de perceber que criticá-lo, cobrá-lo e deixá-lo sem recreio não vai funcionar.

 

Ao ter empatia, seu aluno se sentirá acolhido, protegido e isso sim fará a diferença no comportamento dele.

E se o professor pudesse pensar, porque ele não quer fazer o que eu peço? Será que ele não consegue e não vai admitir? Ou está pensando que quando chegar a sua casa vai apanhar do padrasto? Ou vai se incomodar com uns guris grandes que tem no início da rua da sua casa e não consegue se concentrar no que tem que fazer? Ou aquele tímido que deve sofrer bullying no recreio e não tem ânimo pra nada. Ou aquele que pergunta toda hora, totalmente inseguro para fazer suas escolhas e ter iniciativas, pode estar sendo muito cobrado por seus pais. Ou as meninas conversando, que provavelmente estão imitando um comportamento materno e não conseguem silenciar durante a aula.

 

As crianças imitam os adultos, pais, professores, crianças mais velhas, elas tomam como exemplo a serem seguidos. As crianças não nascem violentas, nem desbocadas, elas aprendem e desenvolvem sua personalidade no convívio com o outro.

Ao lembrar-se de quando nós éramos alunos. Das fofocas, das trocas de olhares, das brincadeiras, das brigas. Das provas de tirar o sono. Podemos pensar em como nossos alunos se sentem e o porquê são tão resistentes. Será que vai adiantar sermos críticos, cobrar ou ameaçar? Se você se aproximasse desse aluno, abraçasse, acolhesse ou apenas perguntasse se está tudo bem? Isso não ajudaria? Ele poderia pensar: - Alguém me enxergou, alguém se preocupa comigo.

Ensinar a arte do diálogo e da reflexão pode diminuir a violência? Se pode, como?

Quando houver qualquer situação de brigas e discussões entre os alunos, se aproxime e escute. Ouvir é o primeiro passo para entender o conflito e poder intervir. E não ficar gritando com o aluno. Isso é violência que vai gerar mais violência. Precisamos dar o exemplo. Eles aprendem mais o que fazemos do que aquilo que falamos.


A maioria das pessoas tem aprendizagem visual e não auditiva. E mesmo que tiver auditiva, apoio visual sempre ajuda como método de associação de ideias.

Conversar e mediar as discussões ou mesmo promover discussões em sala de aula, onde possam debater e cada um dar a sua opinião sobre as situações vivenciadas na escola, vai ajudá-los a perceber que existem estratégias melhores de conduzir um debate favorecendo a tomada de decisões mais assertivas, que podem solucionar problemas e não apenas ignorá-los ou reagir a eles.

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